sábado, 5 de julho de 2014

Dançando Sobre Cacos de Vidro (resenha)

Dançando sobre cacos de vidro
Autoria: Ka Hancock
Editora: Arqueiro
Nota: Cinco estrelas
Sinopse: Lucy Houston e Mickey Chandler não deveriam se apaixonar. Os dois sofrem de doenças genéticas: Lucy tem um histórico familiar de câncer de mama muito agressivo e Mickey, um grave transtorno bipolar. No entanto, quando seus caminhos se cruzam, é impossível negar a atração entre eles. Contrariando toda a lógica que indicava que sua história não teria futuro, eles se casam e firmam – por escrito – um compromisso para fazer o relacionamento dar certo. Mickey promete tomar os remédios. Lucy promete não culpá-lo pelas coisas que ele não pode controlar. Mickey será sempre honesto. Lucy será paciente. Como em qualquer relação, eles têm dias bons e dias ruins – alguns terríveis. Depois que Lucy quase perde uma batalha contra o câncer, eles criam mais uma regra: nunca terão filhos, para não passar adiante sua herança genética. Porém, em seu 11° aniversário de casamento, durante uma consulta de rotina, Lucy é surpreendida com uma notícia extraordinária, quase um milagre, que vai mudar tudo o que ela e Mickey haviam planejado. De uma hora para outra todas as regras são jogadas pela janela e eles terão que redescobrir o verdadeiro significado do amor. Dançando sobre cacos de vidro é a história de um amor inspirador que supera todos os obstáculos para se tornar possível.

Avaliação: Faz tanto tempo que não faço uma resenha, que nem sei como começar direito. Se começo pela sensação que o livro me deu ou como eu o adquiri.

Foi um funcionário de uma livraria quem me indicou Dançando sobre cacos de vidro. Ele falou que havia sido a história mais linda que leu e eu achei interessante, então comprei.

De fato, o cara tinha razão. Se não foi a mais linda que eu já li, então, com certeza fica dentre as mais lindas.

Mickey e Lucy possuem problemas, como todos os outros casais que se amam. Mickey é bipolar e, às vezes, passa um tempo numa clínica se recuperando de algum surto. Lucy teve câncer e o superou, mas vive com o temor de que um dia volte. Diante desses conflitos, resolvem criar regras para preservar o casamento. Uma delas é: nunca ter filhos, para evitar o sofrimento futuro de ver um filho bipolar ou morrendo de câncer.

''— Lucy, todo casamento é uma dança: complicada às vezes, maravilhosa em outras. Na maior parte do tempo não acontece nada de extraordinário. Com Mickey, porém, haverá momentos em que vocês dançarão sobre cacos de vidro. Haverá sofrimento. Nesse caso, ou você fugirá ou aguentará firme até o pior passar.''

Infelizmente... ou felizmente?... O esforço deles de não ter filhos vai por água a baixo quando, em uns exames de rotina, Lucy descobre que há um pequeno ser crescendo dentro de si. O mundo deles vira de cabeça para baixo e devem superar muitas coisas para terem essa criança.

''Um bebê. A ideia me alçou a um lugar totalmente desconhecido. Um lugar onde eu quase podia imaginar o pequeno peso de um bebê nos braços de outra pessoa, qualquer um, menos eu. Cabecinha, mãos e pés minúsculos, tudo novo para mim. Um bebê. Uma família. Nossa tentativa de imortalidade. 
Antes do câncer de Lucy, uma família era nosso projeto, indefinidamente adiado até que alcançássemos certa estabilidade. Depois, porém, ela adoeceu e o preço do câncer foi alto demais, nosso futuro pareceu precário para comportar filhos. Por isso decidimos que essa opção era impossível, ou foi o que pensamos. Voltamos do inferno para recuperar nosso equilíbrio, e a vida mais uma vez se transformou num porto seguro para duas pessoas. Até hoje. Hoje ela se tornou um porto de milagres.'' 

Eu não costumo ler sobre casais que já estão juntos quando começa a leitura. Então foi uma surpresa gostar tanto e me sentir tão atraída pela história. Sabe quando se começa um livro e deseja que nunca acabe, que dure eternamente?

Pois é essa a sensação. O amor deles é muito lindo. Faz com que qualquer um deseje algo assim, mesmo com todos os problemas. Cada cena fofa ou de superação, tocou o meu coração de uma maneira que raramente acontece.

Lucy perdeu os pais bem cedo, mas isso não a tornou revoltada ou temerosa com a morte. Muito pelo contrário! Jamais temeu a morte e possui até uma certa conexão com esta. É uma personagem bem singular, pois não teme ver quem ama partir, apenas deixar para trás àqueles que ama.

''Às vezes me pergunto se ele fazia ideia de que eu levaria sua sabedoria tão a sério. Mas, por causa dela, a morte, no fim das contas, não me apavora.''

''Agradeço a Deus todos os dias por termos superado isso, pois descobri que sou muito melhor em deixar partir do que em aceitar que me deixem partir.''

E Mickey... Sua mãe era bipolar também. Ele sabe que pode trazer sofrimento para aqueles ao seu redor e até tenta evitar se envolver com Lucy, mas o amor fala mais alto e logo se torna dependente dela, de sua confiança e de seu amor.

''— Eu me lembro de tudo daquela noite. Não dava para acreditar que você tinha me beijado. Não dava para acreditar que você tivesse me dado seu telefone.
—Por que não? Gostei de você.
...
— Você gostou dele.
— Gostei de você. Ainda gosto.
Ele me olhou com intensidade, e pensei que nunca havia conhecido alguém como Mickey Chandler. Ele era real e tinha um defeito grave. Não fingia perfeição. O pacote estava aberto, danificado e sentado ali, me encarando, e eu achei tudo incrivelmente reconfortante, ainda que um pouco assustador.''

A força de Lucy Houston é impressionante. Eu a admiro muito, pois ao estar certa do que queria, não se deixou influenciar e foi até o final, em cada uma de suas decisões. Ela soube dar força ao marido, conseguiu amá-lo mesmo em suas piores crises e o aceitou por completo.

''— Aprenda a ler nas entrelinhas. Assim que encontrar um homem que ame de verdade apesar de todos aqueles sintomas, guarde esse homem na memória. E saiba que esse homem às vezes desaparecerá.''

Todos os personagens são bem reais. A narrativa não gira apenas em torno do casal principal, também mostra os problemas enfrentados pelas irmãs de Lucy. Ninguém presente no livro é apenas um personagem simples e linear. Todos possuem sentimentos, passado, presente, problemas e tudo que torna alguém real.

Há muitos livros que focam apenas nas personagens principais, apenas em seus problemas e se esquecem que os secundários são tão importantes quanto e possuem sua própria vida que não gira, necessariamente, em torno das estrelas da história. Dançando sobre cacos de vidro é isso. As irmãs de Lucy possuem seus próprios dramas, suas próprias vidas e todos os outros que aparecem também são assim.

Eu poderia passar o dia escrevendo sobre Lucy, Mickey, Lily, Priscilla (irmãs de Lucy) e até sobre a Drª Barbee e o Drº Gleason (médicos de Lucy e Mickey, respectivamente), sem cansar e sempre acrescentando novas informações sobre cada um deles.

Dançando sobre cacos de vidro possui uma narrativa que ora está no presente ora está no passado. Também há uma alternação de narradores. Lucy narra a maior parte, mas Mickey tem seus momentos e isso nos ajuda a compreender sua mente e seus sentimentos para com as situações vividas. Podemos compreender a profundidade de seus sentimentos pela Lucy e vice e versa.

''No centro de sua loucura, no olho daquele furacão, estava o seu coração, aberto e ansioso. Por mim. Não pude me imaginar sem amá-lo. E não pude imaginar não ser amada por ele.
Naquele momento percebi que não valeria a pena viver sem Mickey Chandler. Eu o amava de todo coração. Mesmo com todos os seus problemas.''

Uma história de luta, de superação, de força e, principalmente, de amor, seja entre homem e mulher, seja familiar.

Recomendo demais o livro, pois o tanto que chorei, o tanto que me envolvi com o desenrolar me fazem dizer com certeza que esse livro ficará para sempre no meu coração.

Por: Mel

terça-feira, 1 de julho de 2014

A sombra do vento (resenha)

A sombra do vento
Autoria: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de letras
Nota: 5 estrelas e ao infinito e além
Sinopse: A Sombra do Vento é uma narrativa de ritmo eletrizante, escrita em uma prosa ora poética, ora irônica. O enredo mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo. 

Ambientado na Barcelona franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, o romance de Zafón é uma obra sedutora, comovente e impossível de largar. Além de ser uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros, é um verdadeiro triunfo da arte de contar histórias. 

Tudo começa em Barcelona, em 1945. Daniel Sempere está completando 11 anos. Ao ver o filho triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe já morta, seu pai lhe dá um presente inesquecível: em uma madrugada fantasmagórica, leva-o a um misterioso lugar no coração do centro histórico da cidade, o Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar, conhecido de poucos barceloneses, é uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que alguém as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de "A Sombra do Vento", do também barcelonês Julián Carax. O livro desperta no jovem e sensível Daniel um enorme fascínio por aquele autor desconhecido e sua obra, que ele descobre ser vasta. 

Obcecado, Daniel começa então uma busca pelos outros livros de Carax e, para sua surpresa, descobre que alguém vem queimando sistematicamente todos os exemplares de todos os livros que o autor já escreveu. Na verdade, o exemplar que Daniel tem em mãos pode ser o último existente. E ele logo irá entender que, se não descobrir a verdade sobre Julián Carax, ele e aqueles que ama poderão ter um destino terrível.

Avaliação: Acredito que resenhar esse livro de um jeito que lhe faça jus, é impossível. Mas tentarei me expressar da melhor forma possível.

Quando resolvi comprar numa promoção do submarino a trilogia do cemitério dos livros esquecidos, o fiz com certo receio. Não sabia bem do que se tratava os livros. As sinopses e algumas resenhas que eu tinha lido, por mais que exaltassem ao extremo as histórias de Zafón, o enredo me parecia simples demais para levar uma fama tão boa. Mesmo assim, resolvi comprar e um dia, peguei a sombra do vento para ler e tentar entender o que as pessoas viam de tão especial nas obras de Zafón.

Apesar da folha ser branca e tão fina que dá pra ver o que está escrito atrás, dificultando a leitura, isso não me impediu de ler páginas e páginas sem sentir. As primeiras 100 páginas mais ou menos ainda me deixaram apreensiva de “será que vai ser bom?”. Isso porque o autor conta a vida de Daniel Sempere até chegar no ponto chave onde o mistério acaba envolvendo o leitor e aí não tem mais volta. Você se descobre apaixonado pela narrativa e pelos personagens e não sabe direito como isso aconteceu. E por isso, você não sabe se lê rápido, se devora o livro ou se mastiga devagar, para nunca acabar.

O enredo gira em torno de Daniel Sempere, que um dia, quando criança, é levado pelo pai a conhecer o cemitério dos livros esquecidos, onde existem duas regras; a primeira é não contar a ninguém sobre o lugar. E a segunda é que a primeira vez que a pessoa vai até lá, tem direito de levar qualquer livro. E o cemitério é um lugar enorme, semelhante a um labirinto, onde existem lendas que algumas pessoas se perdem e não voltam mais. Enfim... Daniel escolhe um livro ou o livro escolhe o Daniel, como alguns gostam de pensar e ao levar para casa e ler a história, o garoto se vê envolvido a tal ponto que resolve procurar mais obras do autor Julián Carax. Só que ele acaba descobrindo que além de quase ninguém ter ouvido falar de Carax, os livros restantes do autor estão sendo todos queimados e destruídos ao longo dos anos. A partir desse cenário, acontecem muitos desdobramentos, muitos mistérios e suspense. Um suspense que beira ao sobrenatural. No entendo, não dá pra definir o gênero desse livro, porque tem de tudo um pouco. Romance, drama, mistério, suspense. E tudo arquitetado com maestria.

- Pois bem, esta é uma história de livros.
- De livros?
- De livros malditos, do homem que os escreveu, de um personagem que fugiu das páginas de um romance para queimá-los, de uma traição e de uma amizade perdida. É uma história de amor, de ódio e dos sonhos que moram na sombra do vento.”

Em A sombra do vento, além do enredo ser viciante, os personagens são apaixonantes. Me apaixonei pelo Daniel de um jeito que nem dá pra explicar. E Fermín Romero de Torres? O que era aquele homem? Simplesmente um dos melhores personagens já criados nesse mundo! Ele tornou-se o melhor amigo de Daniel e era ele quem dava um toque mais cómico e sábio à história. Era como se as partes em que Fermín apareciam tivessem algo de especial.

“As pessoas tendem a complicar as suas próprias vidas, como se a vida já não fosse suficientemente complicada.”

O interessante é que Zafón escreve de tal forma que faz com que o leitor visualize os personagens na sua forma real. Daniel, Fermín e todos os outros, são reais para mim. Eu penso no Fermín, por exemplo, mesmo depois de meses que li o livro, consigo lembrar do seu jeito de falar, do seu jeito de andar, do seu rosto e até da sua voz, mesmo sem lembrar das descrições impressas nas páginas do livro. Porque é como se eu não precisasse lembrar do que está escrito, já que eu conheço Fermín pessoalmente. Mesmo que eu de fato não conheça, nem remotamente, alguém parecido com ele. E o mesmo vale para o Daniel.

Zafón tem um jeito de escrever, de contar história, de criar suspense, que eu nunca vi igual e nem sequer parecido. Embora já ouvi ele sendo comparado com grandes escritores mais antigos. Ele escreve extremamente bem, sem que a leitura se torne chata, sem que as palavras sejam confusas, sem que você precise usar um dicionário. E ao ler, você nota naturalidade na escrita. Acho que por isso, o enredo flui como água. É como se ele fosse um gênio, mas sem o ego gigante. É como se ele nem se esforçasse, como se as palavras saíssem dele como o ar que ele respira e mesmo assim, é a coisa mais perfeita do mundo. E tudo isso eu senti só de ler A sombra do vento.

“O destino costuma estar na curva de uma esquina. Como se fosse uma linguiça, uma puta ou um vendedor de loteria: as três encarnações mais comuns. Mas uma coisa que ele não faz é visitas em domicílio. É preciso ir atrás dele.”

Há uma complexidade e ao mesmo tempo simplicidade quase palpável no enredo. E por mais palpável que seja, não é explicita. Existe algo inenarrável na linguagem dos livros do Zafón que nem parece desse mundo. As palavras, as frases, os diálogos e as descrições te envolvem sem que você perceba, ganham vida sem que você repare e com isso, te fascinam. Mas parece que você nunca vai saber exatamente o que te atingiu ou como o Zafón te fisgou daquela forma. Porque se você for ler fora do contexto, frases soltas, ele poderia ser comparado a um poeta como muitos outros. Mas no texto corrido, um capítulo após o outro, você percebe que não existe nada igual à escrita do Zafón e suas histórias. Creio que só quem vai entender o que eu estou dizendo, é quem já leu e gostou tanto quanto eu.

A sombra do vento é o tipo de livro que se você me diz que leu e não gostou, então eu vou achar que você é louco ou que você ainda precisa ler muito livro pra ter a sensibilidade de perceber o quão magnífica é a escrita do Zafón e que nada que ele escreva fica mais ou menos, simplesmente porque ele é um escritor com todas as pompas e com “E” maiúsculo e eu sinto que mesmo que um dia eu venha a ler um enredo pobre, eu ainda vou me apaixonar pelas palavras dele.

“- A televisão, amigo Daniel, é o Anticristo, e digo-lhe que bastarão três ou quatro gerações para que as pessoas não saibam nem dar peidos por sua conta e o ser humano regresse às cavernas, à barbárie medieval e a estados de imbecilidade que a lesma já ultrapassou lá para o Plistoceno. Este mundo não morrerá de uma bomba atómica, como dizem os jornais, morrerá de riso, de banalidade, fazendo uma piada de tudo, e aliás uma piada sem graça.”

Enfim, claro que não vou realmente julgar ninguém que tenha odiado A sombra do vento ou qualquer outro livro do Zafón, eu simplesmente não vou entender essa pessoa, mas tudo bem.

No mais, na minha humilde opinião, leia todos os livros do Zafón. Ainda não li todos, mas pretendo ler tudo que for publicado dele, sem o menor medo de me decepcionar. Para mim, ele é o melhor escritor da atualidade. Ainda não conheci nenhum outro que sequer se aproximasse da genialidade dele.

Pra finalizar, eu só fico imaginando se na tradução eu sinto e percebo tudo isso,  como não deve ser em espanhol, na versão original...

“Os tolos falam, covardes se calam, os sábios ouvem.”


Por: Mar

sábado, 28 de junho de 2014

Steal My Heart (Catch Me) (resenha)

Steal My Heart (Catch Me)

Fazia sei lá quantos séculos que eu não assistia a um filme asiático. Vou confessar que tenho um certo receio em assistir filmes asiáticos, porque por melhores que eles sejam, eu sempre acho que há algo monótono ou algo que me incomoda, mas não sei dizer o que. Em Catch Me também teve esse “algo” que me incomoda, mas eu acabei nem dando importância porque: a) Joo Won no elenco eu assistiria até se fosse o pior filme do mundo. b) Joo Won de policial me faz lembrar Bridal Mask e o quanto irresistível ele ficava de uniforme e naqueles ternos sob medida. c) O filme realmente me arrancou risadas!

Resolvi baixar o filme porque eu não tinha mais nada pra fazer. Estou esperando minhas séries americanas retornarem e ainda não decidi qual dorama vou assistir. Ai eu vi um post sobre o filme num blog que eu sempre olho quando preciso de ideias para assistir algo coreano e nem pensei duas vezes, fui logo atrás de baixar.

O enredo gira em torno de um policial que precisa prender uma ladra profissional. O problema é que ele acaba descobrindo que ela é sua antiga namorada e sem saber como criar coragem para prendê-la, ele acaba protegendo-a. O filme se desenrola em torno disso, basicamente.

Há muita comédia e romance, além de cenas de ação. Como eu disse no inicio, eu realmente dei risada com várias cenas. Joo Won é um dos melhores atores (talvez o melhor, mesmo eu amando mais o Lee Min Ho) que eu conheço. Esse cara se transforma em cada personagem. Ele faz drama e comédia como ninguém! A maioria das cenas que eu ri foram dele.

Como era um filme de comédia coreano, tinha umas cenas, umas partes, totalmente sem noção e toscas, mas para quem está acostumada, como eu, acaba sendo engraçado.

A química entre o casal principal era excelente! O ruim dos asiáticos é que eles não têm o costume filmar cenas mais picantes ou com mais beijos ou até mesmo um contato físico mais profundo. Na verdade, há um ponto positivo nisso também. Como eles têm mais contato sutil, como troca de olhares, abraços rápidos e coisas do tipo, você acaba vibrando ainda mais pelo casal e parece que em nenhum momento o romance fica chato (isso serve para os filmes e doramas). Os dois beijos mostrados no filme entre o casal principal foram simplesmente perfeitos! Eu vibrei muito, pelo menos.


A história é tão aflitiva, que você não sabe se eles vão ficar juntos ou serem presos, então vale totalmente a pena assistir até o final. Já estou até pensando em re-assistir, porque é uma comédia romântica muuuito gostosa.

download: link aqui

Por: Mar

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Todo Dia (resenha)

Todo Dia
Autoria: David Levithan
Editora: Galera
Nota: Quatro estrelas
Sinopse: Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.

Avaliação: Acho que posso começar esta resenha dizendo: Leia este livro e depois me conte o que achou. Mas leia. Talvez ele pareça um pouco monótono, mas as palavras impressas neste livro vão te tocar de alguma forma. Mesmo que você ache o livro mais chato do mundo, você ainda vai ficar maravilhado com as palavras, a poesia, a simplicidade e a realidade. Algumas coisas na leitura de “Todo Dia” vão te atingir. Superficialmente ou brutalmente, mas vão. De uma forma ou de outra, o livro vai te transmitir uma mensagem e isso é o mais legal de tudo!

“Que história é essa sobre o instante em que você se apaixona? Como uma medida tão pequena de tempo pode conter algo tão grande? De repente, percebo por que as pessoas acreditam em déjà vu, por que acreditam em vidas passadas; porque não há meio de fazer com que os anos que passei na Terra sejam capazes de resumir o que estou sentindo. O momento em que você se apaixona parece carregar séculos, gerações atrás de si – tudo isso se reorganizando para que essa interseção precisa e incomum possa acontecer. Em seu coração, em seus ossos, por mais bobo que saiba que é, você sente que tudo levou a isso, que todas as flechas estavam apontando para este lugar, que o universo e o próprio tempo construíram isso muito tempo atrás, e agora você acaba de perceber que chegou ao local onde sempre deveria ter estado."
A premissa da história já é por si só bastante instigante. Um ser (homem ou mulher, não importa) vive todo dia uma vida nova. Hospeda-se em pessoas diferentes. Mas todas da mesma idade e todas moram relativamente perto umas das outras. Adolescentes de 16 anos. Esse hospedeiro intitula-se de “A” e vive cada dia tentando não interferir na vida de nenhum dos corpos que habita. Até se hospedar no corpo de Justin e conhecer sua namorada. Ai tudo muda.

Acredito que de clichê, essa história não tenha nada. Pode parecer um romance, mas senti que esse romance impossível foi apenas uma forma de o autor chamar atenção das pessoas e prender os leitores para falar de assuntos muito mais complexos. Ao mesmo tempo em que é uma história de amor, é também uma história SOBRE amor. E ao mesmo tempo que é sobre amor, é também uma forma genial de refletir sobre o ser humano e seus preconceitos.

No começo do livro “A” deixa bem claro como ele aprendeu a se adaptar e como parece fácil pular de vida em vida, pois todos os adolescentes e todas as pessoas, no fundo, sejam iguais. E ao mesmo tempo, todas diferentes. Pois todos os corpos que ele habita por um dia, possuem vidas, pensamentos e fisionomias completamente diferentes.
"Ele está blefando. Só pode estar.
- Não existem outros como eu - digo.
Os olhos dele faíscam para mim novamente.
- Claro que existem, Andrew. Só porque você é diferente, não significa que seja o único."
Quero apenas ressaltar o quanto esse trecho, esse diálogo, me fez pensar e me tocou. Acho que de todos os trechos desse livro, esse foi o melhor para mim. Foi como se, por trás de um diálogo inocente, ele quisesse dizer aos leitores "ei, você aí que anda na pior, que acha que é o único com os problemas maiores do mundo... Existem outros iguais a você que você nem sonha em conhecer". E acho que de certa forma, saber que não estamos sozinhos, é um consolo.  

Outro ponto legal que tudo isso trouxe, é que por mais que “A” fosse livre de preconceitos (e ele só era livre por não ter escolha, já que a vida inteira esteve na pele de milhares de pessoas diferentes), ele não sabia e não conseguia entender como era viver sendo uma pessoa só a vida inteira e ter que aceitar o peso da sociedade, da família e dos amigos por ser quem é. Por ter uma aparência que não vai mudar muito ao longo dos anos e não há nada que se possa fazer. Ele não sabe como é criar laços e o quão difícil pode ser. Nem sabe como é de fato, perder alguém. Pois embora tenha vivido muitas vidas, ele não entende a responsabilidade de viver apenas uma.
“É isso que o amor faz: que você queira reescrever o mundo. Que você queira escolher os personagens, construir o cenário, dirigir o roteiro. A pessoa que você ama senta de frente para você, e você quer fazer tudo que estiver ao alcance para tornar isso possível, infinitamente possível. E quando são apenas vocês dois a sós numa sala, você pode fingir que é assim que as coisas são, que é assim que serão.”
O que me deixou mais ansiosa foi saber se Rhiannon iria aceitar “A” não importando sua aparência, se iria amá-lo de todas as formas ou não. Queria saber como o autor iria trabalhar a ideia de até que ponto a aparência importa. E confesso que achei muito legal a forma como o assunto foi abordado no livro. Gostei muito da Rhiannon, pois suas ideias, seu modo de pensar, eram condizentes com a realidade. Senti que eu viveria esse drama da mesma forma que ela.

No final das contas, “A” me parece o tipo de essência que todos nós deveríamos ter, mas que me parece impossível de alcançar. Amar para ele não tem a ver com gênero ou com aparência. Amar é amar. E ele ama Rhiannon por fatores que transpassam a beleza física. É o jeito dela, a bondade dela, que o faz ficar interessado. E ela, por sua vez, tem dificuldades em aceitar “A” nas suas diversas formas. Ela o ama, mas o exterior dele a incomoda diversas vezes.

O desfecho me surpreendeu. Não vou dizer se foi bom ou se foi ruim, mas eu gostei. E terminou com aquele gostinho de “quero mais”. Sinto cheiro de continuação no ar. O autor deixou pontas soltas. Tudo bem se for livro único, mas senti que o autor quis deixar um gancho de propósito, para que houvesse continuação.

A capa é linda, a diagramação é boa. Acho que encontrei alguns erros de digitação, mas não tenho certeza. Enfim, super recomendo!
“Um dos cartazes dos manifestantes chama minha atenção. Está escrito: HOMOSSEXUALISMO É OBRA DO DIABO”. E, mais uma vez, penso em como as pessoas usam o diabo para dar nome às coisas que temem. A causa e o efeito estão invertidos. O diabo não obriga ninguém a fazer coisas. As pessoas é que fazem as coisas e culpam o diabo por isso.” 
Por: Mar 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

My Love From The Star (resenha)


My Love From The Star
Drama: My Love From The Star (English title) / You Who Came From the Stars (literal title)
Hangul: 별에서 그대
Diretor: Jang Tae-Yoo
Roteiro: Park Ji-Eun
Canal: SBS
Episódios: 21
Transmissão: Dezembro 18, 2013 - Fevereiro 27, 2014
Idioma: Coreano
País: Coreia do Sul

Estamos sumidas, eu sei. Em nossa defesa, eu digo que estamos sem tempo e sem cabeça para dar atenção ao blog. Mas hoje eu cheguei da faculdade com vontade de resenhar um dorama que assisti recentemente e foi um dos melhores que vi até hoje.

E vamos a resenha...

Lembro que nos últimos episódios de The Heirs já anunciava no final o próximo kdrama da SBS e mesmo sem entender o que eles diziam, fiquei curiosa para saber do que se tratava a história, principalmente porque no elenco principal estava o ator que eu aprendi a amar em The Moon That Embraces The Sun, Kim Soo Hyun. Pesquisei e descobri que era sobre um alien que se apaixonava por uma atriz famosa na Coreia. Um tema bem inusitado e que mesmo com um pé atrás, a curiosidade falou mais alto e eu decidi que assistiria aquele dorama assim que eu encontrasse para baixar.

O tempo passou e só alguns meses depois eu resolvi procurar os links para download e quando achei fui logo baixando um atrás do outro. E devo dizer que me apaixonei por My Love From The Star desde o primeiro capítulo. Fazia muito tempo que um dorama não me viciava tão loucamente. Parei até de ler nesse período e de assistir meus seriados americanos só pra poder ter mais tempo de assistir MLFTS.

A história já estava boa, mas depois de uns capítulos, uma das personagens morre e o enredo fica melhor ainda, pois o romance entre um alien e uma atriz famosa torna-se mais interessante dentro deste cenário.

Kim Soo Hyun interpreta um alien que chegou no planeta Terra na época da dinastia Joseon, 400 anos atrás. E nessa época, ele conheceu uma menina que ele ajudou e eles criaram um laço amor, fraternidade e amizade. Quatro séculos depois, ele acaba conhecendo uma atriz famosa que é sua vizinha e sua aluna na universidade onde ele leciona. A vida dos dois acaba se entrelaçando e isso nos rende momentos divertidíssimos, fofos, românticos e dramáticos.


Tirando o fato de que Do Min Joon (interpretado por Kim Soo Hyun) é um alien de 400 anos, tirando todo o drama e suspense que surge depois que uma personagem da história morre, nós ainda temos que sofrer com o fato de que Do Min Joon tem apenas mais três meses na Terra e passamos 20 episódios na agonia de descobrir como nosso par romântico ficará junto. Portanto, acreditem em mim, o enredo prende de todas as formas.

Junte um enredo de tirar o sono + personagens super bem construídos. Só podia dar um kdrama de sucesso, né? É aquele tipo de dorama que todos os personagens tem personalidade. Que nenhum deixa a desejar.

Uma das coisas que eu mais amei foram os flashbacks no começo dos episódios dos primeiros capítulos e os extras no final de cada episódio. Nossa, os extras principalmente. Eu ficava ansiosa pra ver o que iria acontecer no final. Às vezes era uma cena engraçada, às vezes era uma cena romântica e de toda forma era alguma cena que me fazia gostar ainda mais da história.

DO MIN JOON
Do Min Joon é a coisa mais linda desse mundo. Tô apaixonada pelo ator Kim Soo Hyun depois dessa interpretação dele sendo um alien anti-social e com super poderes de arrancar muitos suspiros. Eu já tenho uma queda enorme por super-herois, ai me aparece um ET lindo desses com super força, super audição, e o melhor de todos, com poder de parar o tempo. Sem contar que, eu não entendi direito, mas tenho quase certeza que Do Min Joon ensinava psicologia na universidade, pois ele citava vários teóricos que eu estudo na faculdade.

O melhor é que, apesar do jeito sério de Do Min Joon, ele protagonizou cenas que me arrancaram o riso. Ele e a Song Yi eram demais juntos e separados também! Mas juntos eram ainda melhores porque a comédia era garantida.

De todo jeito, a paixão pelo ator Kim Soo Hyun tornou-se oficial depois desse dorama, tanto é que tratei logo de assistir Dream High assim que finalizei My Love From The Star. E esse ator tem um sorriso de derreter coração, um olhar hipnotizante e o melhor... quando ele chora em cena... Não tem pra ninguém, sério! Em cenas de choro ele ganha de qualquer outro ator que eu já tenha visto em filmes, séries e etc. Ganha de qualquer ator de hollywood quando se trata em derramar lágrimas.

SONG YI
Imaginem uma mulher mimada, que se acha o centro do universo, cheia de frescuras e que parece ter uma jaca no lugar do cérebro. A principio, Song Yi não passa de uma atriz fútil e burra. E mesmo assim eu gostei dela de cara. O que era essa mulher cantando feito uma louca sozinha em casa? Eu ri de verdade. Ri muito de muitas cenas dela. Ri demais dela conversando com Do Min Joon sozinha dentro do quarto e a mãe e o irmão dela vendo a cena e pensando que ela estava louca. A meu ver, as cenas da Song Yi mostrava tudo aquilo que nós somos quando ninguém está olhando. O que era ela dizendo “sorry”? Ou postando idiotice nas redes sociais ou falando uma besteira bem grande nas entrevistas? E que tipo de mulher pendura a bolsa no espelho do lado de fora do carro e sai dirigindo com a bolsa pra fora? Amei demais essa personagem, como dificilmente amo uma protagonista feminina em doramas. Ela era tão real e divertida. Cheia de defeitos e perfeita ao mesmo tempo.

LEE HWI KYUNG
Ele era o típico amigo da protagonista que é apaixonado por ela, mas não é correspondido. O coitado sofre com esse amor, mas nunca desiste da Song Yi. Mas ao contrário de muitos por aí, ele não é irritante ou otário. Ele é muito fofo. Até pensei que ele e a Song Yi poderiam ficar juntos no final que eu não acharia ruim. De certa forma, mesmo sem os super poderes, Hwi Kyung também era um super-herói.

LEE JAE KYUNG
Um dos melhores, mais assustadores e sedutores vilões que eu já vi. Jae Kyung era psicopata da unha do pé até o ultimo fio de cabelo. Ele não era daqueles vilões que eu costumo amar por ter lado bom e lado ruim. Não, de jeito nenhum. Ele era frio, calculista e charmoso. Ele matava sem remorso, sem pena. Jae Kyung era um psicopata bem convincente. O ator foi excelente porque ele realmente conseguiu encarnar o papel. Encarnou bem até demais.

OUTROS PERSONAGENS
Foram muitos personagens e eu gostei de todos. Só não fui muito com a cara da Yoo Se Mi, que se dizia amiga da Yong Yi, depois dizia que nunca tinha gostado dela e depois tentava ser amiguinha. Não entendi qual era a dela no final das contas.

Ameeeeeeeeeeeei exageradamente o irmão caçula da Yong Yi, o Yoon Jae. Ele me lembrou muito o Lee Min Ho só não consigo explicar o motivo. Yoon Jae me surpreendeu no final com a sua pancada pelo filme E.T. e seu amor inabalável por Do Min Joon. Era tão fofo!

O promotor Yoo Seok, irmão da sem sal Yoo Se Mi, embora não tenha tido muito destaque, ele era muito lindinho e ficarei de olho em mais trabalhos dele.

Enfim, resumindo, é muita coisa boa nesse dorama. Pretendo revê-lo qualquer dia desses e forçar mais pessoas a assistirem porque coisa boa precisa ser compartilhada.

Ah e eu quase esqueço de comentar... Esse deve ter sido o dorama com mais cenas de beijo que eu já vi! E isso é um mega ponto positivo. 

com certeza, hehe

Por: Mar






quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Desafio de Férias (resultado)

DESAFIO DE FÉRIAS

O desafio de férias consistia em ler cinco livros até o dia 5 de fevereiro. Tanto eu, quanto a Mel citamos no post original da TAG os títulos que pretendíamos ler. Infelizmente, nenhuma de nós conseguiu cumprir a meta. A Mel está no terceiro ano e suas aulas começaram mais cedo, portanto, ela acabou não tendo tempo para ler. E eu sinto como se tivesse tido uma coisa e outra que não me deixaram ler mais rápido. Quase completei o desafio.

Livros que a Mel pretendia ler:
O Clã dos Magos de Trudi Canavan (LIDO)
A Aprendiz de Trudi Canavan (LIDO)
O Lorde Supremo de Trudi Canavan (LIDO)
Escondida de P.C. Cast e Kristin Cast
Filho das Sombras de Juliet Marillier

Livros que a Mar pretendia ler:
A culpa é das estrelas do John Green (LIDO)
O Jardim de Ossos de Tess Gerritsen (FALTOU ALGUMAS PÁGINAS)
Sem Deixar Rastros do Harlan Coben (LIDO)
O diário da Princesa da Meg Cabot (LIDO)
Água para Elefantes da Sara Gruen (LIDO)

por: Mar

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A Menina Que Roubava Livros (resenha)

A menina que roubava livros
Autoria: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Nota: 4,5
Sinopse: A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.

Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.

A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.

Avaliação: Antes de tudo, pedimos perdão por ter passado tanto tempo sem postar nada. Estivemos ocupadas com uma coisa e outra e a Mel começou o terceiro ano, então ficará difícil para ela se dedicar ao blog.

Com a adaptação cinematográfica se aproximando, achei que já estava na hora de escrever uma resenha sobre A menina que roubava livros. Compramos esse livro há uns cinco anos mais ou menos, mas nenhuma de nós (Mel e eu) criava empolgação para ler. Por mais que eu nunca tivesse ouvido uma crítica negativa, o enredo simplesmente não me chamava atenção. Mas com tantas pessoas exaltando essa obra e dizendo ser a melhor leitura de suas vidas, era quase impossível não criar muita expectativa, por mais que eu não estivesse ansiosa para ler.

Algumas pessoas passam por sua vida, outros a acompanham até que não lhes seja mais possível, outro estão mais perto do que parecem.

O narrador da história é a Morte. Ela conta a trajetória de uma menina simples que vive numa Alemanha nazista. Sua mãe resolve deixar seus filhos com um casal que aceita adotá-los por dinheiro, mas seu filho morre no caminho e apenas Liesel é entregue aos novos pais.

Com o tempo, a garota acaba criando um vinculo com seus pais adotivos e eles a ensinam a ler. Liesel acaba buscando na leitura um refúgio, mas como não tem dinheiro para comprar novos livros, desenvolve o hábito de roubá-los. E a Morte narra a vida dessa menina e todas as vezes que ela pegou um livro de onde não devia. O plano de fundo é a Segunda Guerra Mundial, a perseguição aos judeus, a adoração à Hitler, os horrores da guerra e suas consequências.

A única coisa pior do que um menino que detesta a gente.
Um menino que ama a gente.

Os personagens e até a própria Liesel são muito bem escritos e trabalhados. Hans, o pai adotivo da menina, era um homem encantador. Tinha seus defeitos, mas as qualidades eram imensas e seu coração maior ainda. Ele é desses pais que servem de inspiração, sabe? E sua esposa, Rosa? Ela era rabugenta, briguenta, mas no fundo era um amor de pessoa. Tinha um coração imenso, assim como o marido. Mas os que para mim foram os maiores destaques foram Rudy e Max. Rudy era o melhor amigo de Liesel e o leitor acaba se apegando muito a ele. Ele era moleque, divertido, maduro e um amigo que todos gostariam de ter. Sério, ele era um personagem genial. Parafraseando John Green aqui, me apaixonei por Rudy do mesmo jeito que a gente cai no sono: gradativamente e de repente. E o Max? Nossa como eu amei a amizade dele e da Liesel. Eles criaram uma relação tão singela e forte. A menina que roubava livros é o tipo de leitura que, em minha opinião, você se apaixona mais pelos personagens do que pelo enredo em si.


Não que eu não tenha gostado da história como um todo, mas não me marcou. Sei que deve ter marcado milhões de pessoas, mas não a mim. Não foi o melhor livro que li na vida e nem considero entre os melhores. Sempre adorei tudo que envolvesse a Segunda Guerra Mundial, mas não sei explicar o motivo de não ter amado loucamente o plano de fundo/enredo desta obra. No entanto, os personagens me marcaram pra caramba! Chorei em dois momentos; um, envolvia o Max. O outro envolvia o Rudy. A Liesel, se eu fosse listar as melhores personagens femininas da literatura, ela estaria lá.

Como a maioria dos sofrimentos, esse começou com uma aparente felicidade.

Se me pedissem para descrever A menina que roubava livros em duas palavras, eu diria: intensa e singela. O autor foi de uma sensibilidade muito grande ao escrever esta história.

A escrita do autor Markus Zusak é muito boa de ler e fácil. Os capítulos são curtos, o que eu considero algo bem positivo, pois sinto que leio mais rápido. E a forma como a história é descrita dentro dos capítulos são um pouco diferente do que estamos acostumados, mas eu achei super prazeroso de ler.

A diagramação é perfeita. A capa é maravilhosa. Tudo é impecável. Quem não leu, pode ler sem medo. Acredito que não tem como não achar que a leitura valeu a pena, por mais que você não morra de amores.


Por: Mar
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