Eu sei o que você
está pensando
Autoria: John
Verdon
Editora: Arqueiro
Nota: 4 estrelas
Sinopse: Uma carta
perturbadora chega via correio com uma simples declaração ao final: "Veja
como conheço seus segredos - apenas pense em um número." Errará quem
pensar que uma carta dessas chega a seu destino final apenas por obra do acaso.
Para o detetive aposentado da polícia de homicídios da cidade de Nova York,
Dave Gurney, que está formando uma nova vida ao lado de sua esposa Madeleine,
as cartas começam a deixar de ser estranhas para se tornarem um complicado
quebra-cabeça que levará a uma enorme investigação sobre assassinatos em série.
Trazido para o caso como consultor, Gurney em pouco tempo percebe pistas que a
polícia local deixou passar. Ainda assim, diante de um oponente que parece ter
o dom da clarividência, Gurney vê seus esforços irem em vão, seu casamento
rumando a um precipício e, finalmente, um medo incontrolável de que seu
adversário não pode ser parado.
Avaliação: Esse é
um daqueles livros que tem tudo que te instiga a compra-lo. Uma capa legal, um
título atraente, uma sinopse interessante e ainda, o seguinte trecho na capa: “Se
alguém lhe dissesse para pensar em um número, sei em que número você pensaria.
Não acredita? Pense em qualquer número de um a mil. Agora veja como conheço
seus segredos.”. Confessem que já ficaram curiosos, sem ao menos eu ter dado
minha opinião...
Bom, o livro é dividido em três partes. A primeira parte é
tão arrastada e parada, que quando terminei de ler, deixei a leitura de lado por
um bom tempo. Mas um dia resolvi que tinha que termina-lo, pois não gosto de
deixar as coisas pela metade. E também, claro, precisava desvendar o enigma dos
números. A segunda e a terceira parte eu li num instante. Simplesmente devorei.
John Verdon possui uma escrita simples, direta e rápida,
exceto pela primeira parte, que foi maçante. Mas depois que a leitura termina,
você percebe que tudo bem ele ter ido devagar no começo. Você o perdoa, pois vê
que no fundo, aquilo foi necessário para o desenrolar do enredo. A princípio, o
enigma dos números parecia a coisa mais impossível de se resolver, até que o
primeiro assassinato ocorre e o que já não fazia sentido, ficou ainda pior. O
local do crime está cheio de evidências desconexas. E você fica se perguntando:
como? Por quê?
Após isso, eu me envolvi completamente na história.
Precisava desvendar o mistério. Todos os mistérios. Embora a pergunta de como
alguém consegue descobrir que número a outra estava pensando fosse minha
prioridade. Parece complicado, né? Várias teorias passaram pela minha mente. No
decorrer da história, surge outro momento onde você se pergunta a mesma coisa,
mas numa situação diferente. Ambas as respostas para a mesma pergunta “como
alguém sabe o que eu estou pensando?” são diferentes. E eu descobri as duas
respostas antes do personagem! Achei isso o máximo! Para vocês notarem o quanto
eu estava empolgada e prestando atenção em todos os detalhes. Claro que o autor
ajudou, pois tem muito autor do gênero policial, mistério e suspense, que não
deixa pistas para o leitor.
No entanto, vale ressaltar que todo o enigma dos números e
as situações sem sentido relacionadas aos crimes, foram apenas uma parte da
trama, pois para mim, o melhor do livro foram as questões psicológicas que
envolveram o protagonista e o antagonista. Na primeira parte, confesso que foi
o que mais me aborreceu, pois eu não entendia o motivo de tanta explicação para
os problemas pessoais do Gurney. Depois, eu simplesmente queria beijar e
abraçar o autor por ser tão genial na criação do psicológico dos seus
personagens!
A esposa do Gurney, Madeleine, foi a melhor personagem! Ela
era inteligente e sempre ajudava o marido a desvendar os mistérios que surgiam.
E me ajudou também! Graças a ela, descobri muitas coisas antes do protagonista.
Descobri, inclusive, quem era o assassino, antes das peças se encaixarem.
Sempre leio críticas antes de resenhar algum livro e li um
monte de críticas negativas sobre esse. Mas acredito que aqueles que não
gostaram pelo fato do autor dar uma ênfase a vida pessoal do protagonista e seu
psicológico, é porque não entenderam a história de fato. Alguns outros detalhes, falhas no enredo e coisas do tipo, que não vale a pena citar aqui e me estender sobre isso, até concordo. Porém, quase todo livro que já li, pecou em algum momento no enredo.
A trama criada por Verdon é muito mais do que um caso de homicídio
a ser resolvido. É um thriller psicológico bem bolado! Não digo que é o melhor
livro que já li ou que o enredo é dos melhores e cheio de reviravoltas e
surpresas, porque não é. O que mais me ganhou na história foi a forma como o
autor moldou o psicológico do assassino, seus motivos, suas ações e também as
do protagonista. Ele criou os dois personagens de forma que não só eles, mas o
enredo fizesse todo o sentido.
A capa é simples, porém bonita, na minha opinião. A diagramação
também é simples, mas boa. Não vi nada que não me agradasse.
Recomendo a leitura!
Por: Mar